sábado, 19 de setembro de 2009

As mal-humoradas que me perdoem

Momentos de angústia, todas nós temos. O que não vale é fazer papel de vítima e obrigar o outro a pagar a conta da sua infelicidade
Não adianta o corpo sarado nem o rosto sem rugas. Também não fazem efeito as roupas de grife. Em mulher mal-humorada, nada funciona: a única coisa que aparece é o mau humor. Mulheres de bico, de cara amarrada, ríspidas, amargas, azedas... alguém merece?!
Elas reclamam o tempo todo: adoram fazer papel de vítima, repetem 18 vezes por dia que estão exaustas (inclusive nas férias), põem defeito em tudo e em todos e amam fazer profecias negativas. Exemplo? Você chega ao escritório e conta, feliz da vida, que conheceu um cara interessantíssimo na noite anterior. A mal-humorada levanta as sobrancelhas, tomba o pescoço e diz: 'É, se eu fosse você não me animaria muito. Esses caras bebem, se entusiasmam, dizem que vão ligar, mas depois nem se lembram'. Pronto. Você, que já não é das mais seguras, sente seu castelo balançar. Não satisfeita, a colega vidente pergunta alguns dias depois se 'aquele cara' ligou. Quando você confessa que não, ela dá o único sorriso do dia e diz apenas: 'Não te falei...?'.
Além de conjugar o futuro sempre no imperfeito, as mal-humoradas adoram orações adversativas: 'O prato está bom, mas...', 'Fui promovida, mas...'. Há sempre um 'porém', um 'contudo' ou um 'todavia' no caminho dessas almas emburradas. Às vezes, expressos em silêncio. É aquela colega que chega, não dá 'bom dia', não abre a boca -e nem precisa: o rosto dela diz tudo. Se você perguntar se ela está com algum problema, a mal-humorada só responde: 'Nada, não...'. E aí a presença dela vai crescendo, porque não há nada tão contagiante, ou contagioso, quanto o mau humor. Ele intoxica quem está perto, contamina o ambiente.
Momentos de mau humor? Todas nós temos. Nada mais humano e mais digno de perdão. Mas há uma diferença enorme entre estar e ser mal-humorada. E não vale dizer que a vida anda difícil. A vida está difícil, sim, e não faltam razões para sentirmos tristeza, angústia, ansiedade. Mau humor, não: é um outro departamento. Tristeza e angústia, a gente processa internamente. Mau humor é quando você apresenta para o outro a fatura da sua infelicidade. Ele é obrigado a pagar a conta do que você consumiu (ou deixou de consumir) sozinha. Quem é que quer conviver com alguém assim?
Vi um outdoor em Tóquio que dizia: 'O sorriso é a melhor maquiagem'. Qualquer mulher fica mais bonita quando sorri. Não é preciso mostrar os dentes o tempo todo, dar uma de Poliana, como se a vida fosse pink -mesmo porque ela está mais para punk. Mas é por isso mesmo que a gente tem que ter senso de humor, sempre, em qualquer situação. Sem ele, fica impossível.
Ainda dá tempo: pegue de volta aquela sua lista de resoluções para o Ano Novo e inclua: 'Vou adotar uma postura bem-humorada diante da vida'. Ou então, melhor ainda: resolva já o que está causando seu mau humor. É o casamento, ou o namoro, que está respirando por aparelhos? Talvez seja hora de desligar todos os tubos. É a dieta, que está te deixando com fome? Melhor ganhar três quilos do que perder o humor. Se for o emprego, tente mudar. Se for a cidade, também. O que não dá é para puxar o freio de mão na infelicidade e depois apresentar a conta para os outros. Ah, e antes que você me pergunte, as sugestões também valem para os homens. Homem mal-humorado é castigo que nenhuma mulher merece. A não ser que ela também seja. Aí, é chumbo trocado. E os dois que se (des)entendam.
Leila Ferreira é jornalista, apresentadora de TV e autora do livro 'Mulheres - Por que Será que Elas...', da Editora Globo

3 comentários:

  1. Pri, simplesmente ADOREI seu texto, conheço muitas pessoas assim, ehehe!!!

    Bj

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  2. O dia de hoje é muito importante na vida das nossas criancas. Por isso mesmo temos algo bem especial. Passe por lá.

    Abracos

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